Corrida de Aventura em Tijucas do Sul – 2009

Neste sábado fiz mais uma Corrida de Aventura, desta vez em Tijucas do Sul, município da região metropolitana de Curitiba. Esta foi a minha sexta e você pode ver os relatos das corridas anteriores no meu blog pessoal.

Esta corrida foi especial pois teve a estreia de dois amigos meus, que a tempos gostaria que participassem comigo: Marco e Antonello. O Marco é meu amigo da adolescência e o Antonello já conhecia ele desta época também.

Nesta corrida o meu parceiro foi de novo o Rodrigo Fonseca, irmão do Marco. Juntos somos a equipe Vegetarianos e Furiosos, e o Marco/Antonello são a Roda Livre.

Demorou quase um ano para eu convencer o pessoal que dava para fazer uma corrida de aventura, mas finalmente consegui! 🙂  Como sempre digo: ter um mínimo de condicionamento físico é essencial, mas a vontade de correr e chegar no final é mais importante do que isso.

A foto acima é do congresso técnico da corrida, que aconteceu na quinta-feira passada. Eles ainda não sabiam o que os esperava! 🙂  Este nome pomposo nada mais é do que um evento em que o diretor de prova, o sempre competente Julio Camargo, da Extremaventura, explica com vai ser a corrida, tira dúvidas e mostra como será a logística da competição.

O Marco e o Antonello, como nunca tinham participado, ficaram um pouco confusos com tanta informação e gírias próprias. Isso é normal e é uma coisa que você vai pegando aos poucos, como qualquer esporte em que se é iniciante.

A Alimentação

Na sexta à noite saí do trabalho e fui às compras! Passei numa loja de suprimentos nutricionais e comprei gels de reposição, maltodextrina e barras de proteína. Estes químicos, como gosto de falar, ajudam em muito na hora da prova.

Os gels são carboidratos de rápida absorção, que vêm em sachês de porção individual. É só abrir e comer na hora. É comer e mandar a energia direto para o sangue!

O malto também é um carboidrato de rápida/média absorção, mas ele vem sob a forma de pó para ser misturado na água. Daí é só colocá-lo no camelback da mochila e beber durante a prova. Além de se reidratar, você estará se alimentando ao mesmo tempo.

E as barras de proteína são parecidas com um chocolate, mas que te dão… proteína! 🙂 Ela ajuda na reconstrução muscular e no reparo da máquina/corpo.

Tudo isso para que não falte energia para o atleta, senão nada vai para a frente.

E daí é que sai um dos meus lemas referentes à alimentação/nutrição em corridas de aventura: beba sem ter sede e coma sem ter fome.

Na corrida de aventura você tem que deixar o seu corpo sempre nutrido, de tanque cheio. Neste caso é melhor sobrar do que faltar. Se sentir fome ou sede durante a corrida, algo você fez de errado. Coma e beba, sempre! Deu uma parada em um PC (Posto de Controle), coma um gel; está pedalando num percurso plano e tranquilo? beba malto.

E comidas normais, vocês não levam? Sim, é legal levar algumas coisas que você goste de comer e que não pesem no estômago. Se ficar só no gel e malto, terá aquela impressão de rombo no estômago.

Novamente participamos na categoria Aventura, que teve em torno de 45 quilômetros de percurso, sendo uns 35 de mountain bike, 4 de duck (caiaque inflável) e 6 de trekking. Como eu e o Rodrigo já havíamos participado de uma corrida em Tijucas no ano passado, conhecíamos alguns trechos. A categoria expedição (que ainda quero fazer neste ano), fez em torno de 80km.

Antes da Prova

Acordei as 05:00h da manhã e as 07:30 e já estávamos na cidade de Tijucas do Sul. Outros competidores já haviam chegado e ficamos conversando com os amigos de outras provas. Arrumamos as coisas e o Rodrigo e o Marco foram levar um dos carros até o local onde iria ser a chegada. Assim ficaria mais fácil voltar até a largada sem precisar vir pedalando. Tudo bem em pedalar durante vários quilômetros durante a competição, mas depois que acaba você só quer sossego e mordomia 🙂

Fiquei na largada com o Antonello e aproveitei para dar uma inspecionada na mochila dele. Com algumas corridas nas costas já sei que sempre tendemos a levar muita coisa, ainda mais quem é novato. Na hora já tiramos dois frascos de repelente e protetor solar da mochila, junto com várias bananas.

O protetor solar e o repelente fazem parte do kit de primeiros socorros exigidos pela organização da prova, mas isso não quer dizer que você tenha que levar um tubo inteiro de cada um! A dica é pegar frascos pequenos e colocar um pouco dentro. Assim você estará seguindo o regulamento e economizando várias gramas de peso na sua mochila.

Com o caso da banana é a mesma coisa. A banana in natura ocupa um espaço grande e é muito pesada. Além disso, com o movimento da mochila ela fica toda machucada e ruim para comer. A solução aqui é trocar por banana seca, que tem a mesma energia, mas num espaço muito menor.

Infelizmente na prova não tirei nenhuma foto. Realmente tenho que arranjar uma máquina bem simples, a prova d’água e meio velhinha, para levar durante a competição. Existem vários momentos que é mais tranquilo e fácil para tirar fotos, mas ninguém leva uma câmera. E é uma pena, pois passamos por lugares muito bonitos e isso fica só na lembrança. Melhor ainda se der para registrar. Anotação mental: achar uma máquina velha e barata, que tenha alguma proteção à água.

Resumo Geral da Prova

Largamos do centro de Tijucas e seguimos pelo asfalto em direção ao PC1, que ficava abaixo do Recanto Saltinho. Tínhamos que seguir um carro batedor no início do trajeto, por causa do fluxo de trânsito. Só que algumas pessoas só ficaram olhando para o carro e esqueceram de olhar para o mapa. Uns 3 quilômetros depois da largada tinha uma entrada à direita, de estrada de terra, que passaram batido. Como eu havia estudado um pouco o mapa antes, sabia que ali tinha um pequeno atalho que economizava em torno de 1km de pedal. Chamei o pessoal e seguimos este caminho.

Neste ponto estavam juntos com a gente o Daniel Farpado e o Moca. O Daniel eu conhecia dos tempos do voo livre de parapente. Cara muito gente boa. Pedalamos juntos e estávamos indo junto na prova. Depois do PC1 eles se tocaram que esqueceram os coletes salva-vidas na bike e tiveram que voltar. Só os encontramos mais tarde.

Até o PC1 o pedal foi tranquilo, quase plano e com poucas subidas. Ali largamos as bikes e iniciamos uma subida de uns 3km para ir ao PC2 onde pegaríamos os ducks. Perto do ponto dos ducks o pessoal da equipe K2, que estava logo à frente, achou uma trilha no mato e seguimos juntos. Economizamos alguns minutos e chegamos direto no PC2. Show!

Pegamos os ducks e entramos na água. Aqui cometemos um erro. Eu e o Rodrigo entramos logo na água e começamos a remar. O Marco e o Antonello entraram atrás. O duck é meio chato para iniciantes. Você não consegue manter uma linha reta e parece que o negócio não tem controle. Como estávamos mais à frente não pude dar nenhuma dica para eles, apesar de já ter falado como se comportar para conduzir o duck melhor.

O erro foi ter saído antes e ter esperado eles. Quando vi que ficaríamos muito distantes, resolvemos esperá-los. Foi remando ao lado deles e fiquei falando o que estava de errado e como eles podiam corrigir as remadas. Depois disso eles pegaram o jeito e fomos juntos até o PC3.

O PC3 era o mesmo do 1, onde havíamos largado as bikes. Pegamos elas novamente e daí tínhamos que tomar uma decisão. O próximo PC (4), ficava atrás de uma região montanhosa e dois caminhos eram possíveis. Ou voltávamos pela estrada por onde passamos anteriormente, ou passávamos por uma região cheia de pinheiros e demarcada por trilhas. Pelo mapa parecia que eram várias trilhas e poderia ser meio confuso e fácil de se perder. Apesar do trecho da estrada ter o dobro da parte das trilhas (12km contra 6km), optamos pela estrada.

Pedalamos bem até perto do PC4 e praticamente não erramos, fora uma ou outra entradinha que logo consertamos. Ao chegar perto do PC4 reencontramos o Daniel e o Moca, que havia optado por fazer a trilha, ao invés da estrada.

Nesta hora estávamos em uma 5 equipes reunidas e começamos o trajeto de trekking até o PC5. Esta parte foi a mais dura e bacana da prova: uma subida de montanha com uns 300 metros de desnível, com vários trechos bem íngremes. Erramos um pouco no início, até achar a trilha, mas depois engrenamos. Fomos todos juntos e levamos cerca de 1 hora para chegar até o cume, onde estava o PC5. Voltamos em 30 minutos e fizemos uma breve pausa para retomar o fôlego e repor as energias no PC6. Pegamos as bikes e partimos para o último PC, que era a chegada no Saltinho.

O Saltinho era o mesmo lugar em que pegamos os Ducks e tínhamos que decidir novamente se deveríamos voltar pela estrada ou pelas trilhas no meio dos Pinheiros. Como o Daniel havia feito esta trilha na ida, e conseguiu chegar junto com a gente do outro lado, apesar de estar atrás, concluímos que era um caminho bem mais rápido que pela estrada. Além do mais agora ele já conhecia o caminho e não tinha como errar.

Decidimos seguir pela trilha nos pinheiros e foi a decisão acertada. Deveríamos ter feito isso na ida também. A trilha é muito boa, dá até para passar um carro mais fora de estrada e o visual é muito bonito. Chegamos rapidinho no Saltinho e fomos todos juntos para a linha de chegada, comemorando mais uma conquista.

Nossas três equipes chegaram juntas e, pela planilha oficial, ficamos em quinto lugar, melhor do que  eu havia previsto na sexta-feira, quando troquei alguns emails com o resto da equipe! Fizemos a prova em torno de 5 horas e o primeiro colocado chegou 40 minutos antes.

Como haviam 22 equipes na nossa categoria, ficamos no terço inicial. Uma ótima classificação já que estávamos levando uma equipe que nunca havia competido.

Queria registrar também a força de vontade do Antonello. Ele era o menos preparado de nós quatro. Nem por isso ficou para trás nem reclamou (muito! 🙂 ). Ele andou junto com todo mundo e assimilou bem todos os estímulos que eu dei a ele.

Temos que lembrar que somos uma equipe, e que ela tem que chegar ao final. Não adianta alguém ir na frente se tem outra pessoa mais atrasada. Por isso incentivei sempre o Antonello e não deixei que ele ficasse atrás. Sempre que isso acontecia eu voltava e colocava ele no meio do grupo. Também reclamei com o Marco várias vezes, para ele parar de ir na frente. Chamava-o sempre para ficar atrás do Antonello. Fazendo isso só saímos ganhando, pois o Antonello viu que conseguia se superar e aumentamos o nosso ritmo. Lembrem-se sempre que a velocidade de uma equipe é o ritmo do atleta menos preparado!

Parabéns Antonello e Marco por sua primeira corrida de aventura. Tenho certeza que vocês adoraram e agora vamos fazer várias juntos!

E quem quiser escutar um pouco da apreensão e euforia da nossa equipe em relação à corrida, escute dois pequenos arquivos de áudio que gravei antes e depois da corrida.

Veja também, abaixo, a reportagem de televisão feita na etapa:

Esta corrida foi realizada pela Extremaventura e teve o patrocínio da loja Território, empresa aqui da região e que acredita no incentivo ao esporte para crescer. Palmas para eles!! Vamos comprar tudo destes caras!!! 🙂

Comments

  1. Jean Carlo Zequim - K2 Adventure Team says:

    Parabéns Rodrigo, pela iniciativa legal de reportar tudo aqui.
    Achei a prova sensacional também, embora tenha quase infartado lá no morro do PC5. Foi foda!
    Parabéns também ao Roda Livre…

    Temos que marcar uns treinos juntos… vamos combinar.

    Abraço.

  2. Renato says:

    Parabéns! Deu vontade de estar aí junto. A parte de trekking é caminhada ou corrida?

  3. Rodrigo Stulzer says:

    Oi Renato!

    A parte de trekking é mais caminhada do que corrida. Depende de cada equipe e disposição. Mas com certeza você pode e consegue participar. Garanto!

    Oi Jean!

    Foi legal mesmo. Cara, este treino tem que sair. Vamos marcar alguma coisa bem no estilo corrida de aventura num fim de semana destes. Apesar de não ter navegação acho que conseguimos planejar algo legal com bike e trekking aqui pelos lados de Campo Magro.

  4. Fran says:

    uau! que prova longa e de resistência. no final deve dar uma sensação absurda de prazer, né? meus parabéns. um dia eu chego lá! hehehe.
    e obrigada por explicar o que era maltodextrina. sempre vi esse item em composição de alguns produtos e nunca soube o significado.

  5. Rodrigo Stulzer says:

    Oi Fran!

    É, a endorfina fica a mil depois da prova. Eu não conseguia parar de falar 🙂

    Abraços!

  6. Peda says:

    Oi Rodrigo

    Parabéns por mais essa corrida… espero vê-lo numa corrida aqui em Santa Catarina um dia desses…

    Abração

  7. Marco Aurelio says:

    Parabéns Rodrigo´s Team,

    Agora acho que agora vc já esta preparado para fazer a prova dos “meninos”, que a o das “meninas” vc já esta dominando, rsss.

    Parabéns a Todos.

  8. Ai Rodrigo …… show a iniciativa …. o ressultado eh o q menos importa ….. as provas terminam mas as amizades naum ….!

    Parabens a todos do Rodrigo´s Team

  9. Rodrigo Stulzer says:

    Oi Mario!

    Obrigado pelo comentário!
    É verdade, a aventura é que importa. Não me preocupo com a classificação. Tenho um legal que é:
    primeiro tenho que me divertir
    depois quero chegar
    e se os dois acima estiverem ok, daí tento ganhar algumas posições 🙂

    Grande abraço e parabéns pelo primeiro lugar!!

    Rodrigo

  10. marco says:

    Rodrigo quero te agradecer por ter me convidado para a corrida de aventura, realmente o prazer de estar no meio do mato, com um monte de pessoas, com o mesmo objetivo, e indo para o mesmo lugar (nem sempre!), é espetacular, ja estou treinando para maio.

  11. Gian says:

    Parabéns a todos os componentes da equipe pelo ótimo resultado. Valeu pelo relato da prova Rodrigo, foi muito bom pra eu ter uma ideia da competição. Gostei dos conselhos para a alimentação durante a prova, quando eu corria em bicicleta também usava esses alimentos de rápida assimilação.
    Continuem assim galera, vou continuar seguido esse blog pois é muito massa. Quem sabe um dia não partícipe da Extremaventura… eh eh.

    Um abraço pra todo mundo e pro meu amigo Marco!

  12. marco says:

    rodrigo. o gian é primo da bia e mora em bergamo na italia e ele é ciclista profissional lá.

  13. […] Corrida de Aventura em Tijucas do Sul – 2009 […]

  14. […] para deixar de comer. Você tem que comer e beber sempre! Vale a máxima que já disse no artigo da corrida de aventura em Tijucas do Sul: “Coma sem ter fome e beba sem ter sede”. Só que aqui tínhamos fome e sede de […]

  15. […] Relato Original: Corrida de Aventura de Tijucas do Sul 2009 […]