Levando Uma Criança para escalar as Montanhas

Já fazia algum tempo que eu gostaria de levar o meu filho, o Natan, para escalar alguma montanha. Tentei algumas vezes mas acabou não dando certo, por várias razões. Até que um dia, em 05 de outubro de 2008, no dia das eleições, acabamos escalando o Anhangava, aqui na região metropolitana de Curitiba

O Morro do Anhangava fica no município de Quatro Barras e possui cerca de 1.430 metros de altura. A caminhada é tranquila na maior parte da trilha e fica mais complicada depois que se passa as vias de escalada. Uma pessoa normal leva entre uma e duas horas para alcançar o seu cume, e pode aproveitar a vista das cidades vizinhas, caso o tempo esteja aberto.

A caminhada no Anhangava com o Natan foi bem legal. Ele curtiu todos os momentos e quase não reclamou. Estava empolgado com o mato e com todas as coisas novas que encontrava pelo caminho.

Agora ele está com seis anos, mas em outubro ainda tinha cinco. Acho que foi uma boa idade para ele ter subido pela primeira vez uma montanha. Uma das coisas que mais o incentivaram a subir foi o lanchinho que compramos numa padaria no caminho da montanha. Deixei ele escolher umas três ou quatro besteirinhas para que pudéssemos comer lá em cima.

E para incentivar mais ainda a subida, eu falei que só iríamos comer quando estivéssemos perto do topo. Deste jeito ele foi subindo e só reclamou quando o tempo começou a esfriar e a neblina apareceu. Mas isso foi só a uns 20 minutos do topo, pois antes o sol estava bem forte, como dá para ver nas fotos.

A cada novidade que encontrávamos ele ficava super alegre e queria me mostrar tudo, perguntado e falando pelos cotovelos. Falando nisso, gravei toda a nossa escalada. Quem tiver interesse (e tempo) para escutar, acho que pode dar algumas boas risadas. O mp3 da gravação da escalada com o meu filho está disponível, mas já aviso que são quase duas horas de um pai e um menino conversando. Pais e avós adoram escutar estas coisas, mas tenho minhas dúvidas em relação ao resto do mundo. 🙂

Na foto abaixo dá para ver que a trilha é bem segura, e onde as passagens são grandes foram colocados grampos de ferro para maior segurança e comodidade das pessoas. Os grampos também são rebaixados para que os pés não escorreguem, caso esteja chovendo ou a trilha fique molhada.

A foto abaixo foi o próprio Natan que tirou, quando iríamos começar a parte mais difícil da subida, com um lance grande de grampos, logo depois do campo escola.

E olhe na foto abaixo os grampos que falei acima. Esta parede tem uns 70 ou 80 graus de inclinação. Para a segurança do Natan, coloquei ele na minha frente e ia acompanhando a sua subida com o meu corpo protegendo-o. A cada degrau que ele subia eu também subia um degrau. Assim, caso ele escorregasse eu poderia agarrá-lo na hora e sem sustos.

Na descida foi a mesma coisa, mas como não dá para ver onde você está pisando, ele ficou um pouco apreensivo. Mas logo depois dos primeiros degraus desceu sem problemas.

O que mais atrapalhou mesmo foi o vento e o frio na parte alta da montanha. Saímos de uns 25 graus ao sol para pelo menos uns 15 na parte mais alta. Junte o frio, a neblina e a água que escorria pela rocha das chuvas dos dias anteriores, e você terá uma idéia de como estava a parte final do trajeto.

Paramos um pouco, perto do cume, e comemos alguma coisa. Mas o frio estava ruim mesmo e o Natan começou a reclamar. Juntei todas as coisas e começamos a descer. Falando em reclamar eu segui uma regra nesta escalada: o passeio tinha que ser divertido, e qualquer coisa que o meu filho não gostasse, eu não iria forçar. Fazendo assim ele se divertiu bastante e não teve nenhuma decepção. Quando ele se sentiu inseguro, ajudei-o, quando achou que era hora de voltar, voltamos. Assim ele ficou feliz e, quando eu perguntei se tinha gostado, falou que sim e que queria voltar outra hora.

Deixamos o Anhangava para trás, envolto nas nuvens que escorriam por sobre a sua face. Voltamos felizes para casa, tendo uma ótima história para contar, para lembrar, e para unir ainda mais duas pessoas que se amam.

E se você se interessar, baixe o mp3 da escalada, como falei acima.

Comments

  1. Tia Maravilhosa says:

    Di, meu sobrinho mais lindo.
    Que maravilha saber que o Natan pode curtir você e com você todas as etapas. Ainda não ouvi o mp3, pois quero curtir com muita calma essa aventura de vocês.
    Que os anjinhos estejam sempre abençoando esses e outros omentos que, tenho certeza, virão.
    Obrigada por ser assim.
    Amo vocês
    Beijocas
    Emília

  2. Carlos Horylka says:

    Muito legal a aventura, me serve de inspiração para querer mostrar para a minha filha as coisas do mundo, parabéns pela iniciativa.

  3. rodrigo says:

    Oi Horylka!

    Obrigado e leve mesmo. Vocês vão gostar muito!

    Abraços!

  4. Rics says:

    Cara, nem sabendo que ia ganhar umas guloseimas quando chegasse lá em cima eu teria coragem de subir. Sou como o Jaiminho: “Prefiro evitar a fadiga”, sabe como é? hahahahaha

    Excelente blog. Os textos estão gostosos de ler, parece que estamos conversando contigo. Parabéns! O blog nem começou direito, mas já deu pra ver que vai ser um sucesso!

    Boa sorte e pode ficar com minha parte nos exercícios. hahahahaha

  5. Rodney says:

    Oi Rodrigo

    este blog será um sucesso com certeza.
    ficarei antenado nele.
    []s
    Rodney

  6. Marco Aurelio says:

    Gostei da idéia, mas preciso de alguem com tua experiencia em montanhas. Vamos marcar de subir com o Pedroca, aposto que ele vai curtir, e se tiver guloseima então…, até eu. abraços.

  7. Rodrigo Stulzer says:

    Minduca,

    Vamos sim, já tenho outros dois que querem ir também!

    Abraços!

  8. […] fica feliz, e está aprendendo cada vez mais a gostar dos esportes. O ponto alto dele foi a caminhada que fizemos no Anhangava, super bem para uma criança, e mostrando o potencial que ele […]

  9. […] um relacionamento muito legal, sincero e sempre com a vontade de fazer o outro feliz. Temos um filho super querido e uma família ótima, que nos ajuda em todas as […]

  10. […] edição da caminhada “Pais e Filhos”. Já é a terceira da série. Na primeira fomos eu e o Natan para o Anhangava, mas como éramos só nos dois, não conta muito. Na segunda fomos três pais com seus filhotes. E […]