
Quem me acompanha pelo twitter (@transpirando) viu que nos últimos dias falei várias vezes sobre um tipo diferente de calçado: o Vibram Five Fingers. Mas o que é esse negócio maluco, que mais parece a uma luva para o pé do que um calçado?
Já a algum tempo eu leio sobre lesões e o que as motiva. Como ainda não estou totalmente curado da minha síndrome do trato iliotibial, sempre procuro na Internet alguma coisa que possa explicar porque os corredores têm tantas lesões. Nunca vi uma quantidade tão grande de problemas em outros esportes, e olha que já fiz vários deles.

Já a algum tempo ouvi o Brett, do ZenTriatlhon falar sobre correr descalço. Não dei muita bola mas continuei a acompanhar o seu podcast, que é ótimo, por sinal. Um tempo depois comecei a acompanha-lo no twitter (@zentriathlon) e foi pelo seu intermédio que conheci o @barefootted.
Este cara, o Ted, é um dos adeptos da corrida descalço. A ideia básica deste grupo de pessoas que defende correr sem tênis é que os nossos pés sofreram milhões de anos de evolução e os sapatos e tênis os estão estragando, gerações após gerações. Deixo claro que não sei até que ponto isso é bom ou prejudicial, mas a teoria é interessante.
Veja um pequeno vídeo (4s) mostrando a diferença entre a maneira de se tocar o solo de tênis e descalço:
O modo de se dar uma passada, tocando antes o calcanhar no chão, veio com o advento dos calçados. Tente ficar descalço e correr tocando primeiro o calcanhar. Você irá parar nos primeiros metros, ou, se for um pouco inteligente, começará a adaptar a sua passada para um toque da planta do pé, ao invés do calcanhar. Aí vêm mais uma teoria: se os animais não usam calçados, como conseguem correr tanto e por tanto tempo?
A ideia de correr descalço realmente não me agrada, especialmente por causa de problemas como pedras, cacos de vidro ou arranhões. Mas calçados como o Vibram Five Fingers (e outros similares) me parece ser uma boa opção. Em todos os blogs e fóruns que li eles sugerem uma adaptação longa e gradual. Nada de colocar um destes e querer sair correndo 10 quilômetros por aí. E mesmo se você tentar correr na praia, que me parece um dos locais ideais para não se usar nenhum tipo de calçado, não abuse.

Lembro de tentar correr na praia, em torno de um ano atrás, em em menos de dois quilômetros tive que desistir pois a sola do meu pé já estava reclamando. Não por causa do impacto, mas porque ela não estava acostumada com o simples roçar da areia. Num mundo tão automatizado como o que vivemos, não temos mais um contato de nosso corpo de maneira tão explícita com a natureza, e daí ele sente.
O Vibram Five Fingers foi eleito pela revista Time uma das melhores invenções de 2007. Além disso apareceu no New York Times com o sugestivo título “Como estragamos nossos pés a cada passo que damos” e também na Wired.
Segundo um artigo de Amby Burfoot, na Runner’s World americana, correr descalço era bem comum até algumas décadas atrás, até mesmo para atletas olímpicos. Com a chegada da grande indústria dos tênis de corrida, isso acabou ficando no esquecimento.

Tentativas como o do Vibram Five Fingers são boas para questionar o Status Quo. Se ele vai funcionar ou se conseguirá provar alguma coisa é outra história.
Mas que eu quero testar um destes, isso eu quero.

10 comentários ↓
Stu, parabéns pelo texto e por levantar essa questão do barefoot running.
É bacana o conceito do correr descalço. Não nego minha curiosidade e desejo inclusive de um dia experimentar. Mas alguns argumentos carecem de coerência. Esse lance de estar “estragando” os pés por estar usando tênis para correr. Isso se chama evolução! Então estamos estragando nosso coração, nossos músculos ao usar carros para percorrer longas distâncias? Seguindo essa linha de raciocínio…Estamos estragando nossa vida ao utilizarmos de itens que nos trazem praticidade e conforto? Vidros elétricos nos carros, controle remoto para as televisões e elevadores em prédio estam prejudicando nossa vida ativa? Se for seguir o pensamento dos que alegam ser um “back to the egg” o tal do barefoot running é exatamente isso que ocorre.
Inclusive isso me faz lembrar dos eco-chatos que querem a todo custo a manutenção do habitat de um papagaio do bico cor-de-rosa-e-chumbo mas mesmo assim anda de carro o dia todo e não sabe a destinação do seu lixo diário.
Hoje o mundo está repleto de incoerências, infelizmente.
Como sugestão para evitar lesões, tão comuns na corrida, indico sempre o dar o passo conforme a perna… Pequenos e graduais objetivos me fazem ter 16 anos de corridas e nenhuma lesão (exceto bolhas e unhas-pretas, hehe). Tudo bem que tem gente que talvez não queira esperar 16 anos para correr uma maratona né, rsrs. A esses recomendo sempre o respeito ao corpo e principalmente não insistir. Procurar orientação médica sempre.
Um abraço brother!
Um contraponto a opinião do Pepe. De fato, o termo “estragando” foi mal usado, mais apropriado seria “atrofiando”. Há dois tipos de tecnologias: as que funcionam como prometido e as que não funcionam. A roda quadrada foi uma tecnologia que não vingou. Tal como o medicamento Vioxx, retirado do mercado recentemente, que prometia ser o alívio dar dores mas causava ataques cardíaco nos seus usuários. O tênis com calcanhar elevado promete ir pelo mesmo caminho. Não há evidências que ele reduza lesões, de fato as pesquisas apontam que quanto mais barato o tênis menos lesões ele causa. O Pepe é um agraciado pela natureza por não ter lesões há 16 anos. As estatísiticas mostram elevado número de corredores lesionados todos os anos. Eis uma referência:
http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=489577&indexSearch=ID
Assim, quando um tecnologia não funciona como prometido, resta voltarmos ao que tínhamos antes (pés descalços, sandálias indígenas, …) ou evoluirmos a tecnologia do calçado. O fundamento do tênis com amortecimento é que o impacto é que causa a lesão. Este fundamento parece falho. O novo paradigma é que o movimento repetitivo incorreto é que causa a lesão. O Vibram Five Fingers é a tentativa de se fazer um calçado que não atrofie os pés e permita o movimento correto que a natureza levou milhões de anos para aperfeiçoar.
Voltando ao tipo de tecnologia que funciona, elas precisam ser usadas com consciência e para os limites que foram projetadas. Assim usar o carro para longas distâncias ou o elevador para subir vários andares é um uso consciente. Pegar o carro para ir na padaria da esquina ou descer um andar vai “atrofiar” seu coração, seus músculos, aumentar seu colesterol, sua pressão arterial e te levar ao consultório do cardiologista. Lá, o profissional lhe indicará fazer exercícios físicos. Se você estivesse usando o carro e o elevador conscientemente, estaria fazendo exercícios físicos durante o dia sem perceber e talvez teria economizado a visita ao cardiologista. Sem contar os efeitos colaterais do uso exagerado do carro: emissão de carbono, efeito estufa, fuligem.
Eu corri por dois anos com tênis e tinha uma canelite horrível. Treinava pouco, não estava treinando para maratona, seguia os príncipios de subir a quilometragem aos poucos. É um conselho importante mas não suficiente. Eu já ía mudar de esporte quando, por sorte, encontrei o seguinte site na Internet:
http://runningbarefoot.org/
Meu esporte agora é este: correr descalço.
Ouça seu corpo: corra descalço.
Para saber mais acesse meu site. Cadastre-se na nossa comunidade do Orkut (veja no site).
http://pes-descalcos.org/run
Boa recuperação de sua lesão e boa sorte se resolver embarcar na aventura de correr descalço ou com calçados minimalistas.
Realmente uma ótima… Também desejo um test drive… A única coisa que me impressionou foi o preço… Mas vamos em frente ver se realmente vale tudo isso… Abração
Corri calçado por mais de 20 anos de minha vida, até que no ano passado resolvi experimentar a corrida descalço, senti que me adaptaria e só precisaria de tempo para encarar e colocar meus tenis na estante. Depois de alguns meses de adaptação estreei numa prova de 10 km e tamanha foi minha surpresa quando me senti muito melhor e sem dores no final da corrida.
Creio que correr descalço é somente uma forma diferente de correr, ou melhor dizendo e a maneira de correr, já que nao nascemos calçados rs .
Como diz Leonardo: “O fundamento do tênis com amortecimento é que o impacto é que causa a lesão. Este fundamento parece falho. O novo paradigma é que o movimento repetitivo incorreto é que causa a lesão.”
Pensando no impacto do calcanhar…faça um pequeno teste, corra uma pequena distância com e sem calçado. Fica claro que calçado o pisar se dá fortemente no calcanhar, e descalço amortecemos o impacto NATURALMENTE apoiando a parte anterior, onde até os artelhos trabalham. Evoluimos para esta posição e a industria de calçados de forma mais midiática que ciêntifica, enaltece os benefícios do calçado com amortecimento, sem uma comprovação com uma pesquisa séria e isenta. E corroborando Leonardo, a industria de calçado enaltece o impacto, criando duas inverdades, pois 1º- o movimento repetitivo incorreto é que causa a lesão. 2º- sem calçado não se tem impacto violento no calcanhar.
A introdução do calçado com amortecimento inventou o problema para vender a solução. Os valores investidos foram vultosos, a industria de calçados esportivos arrecada muito, portanto a briga é grande…e eu vou assistir correndo descalço. E para colocar mais um argumento, os proprioceptores , situados nos músculos esqueléticos, tendões, estruturas articulares e periarticulares, têm por função detectar alterações na tensão e posição das estruturas em que estão localizados, tais como estímulos vibratórios, táteis e de pressão sobre a pele.
O tênis bloqueia proprioceptores, esses proprioceptores trazem informações essenciais para a conscientização da posição dos membros e seus movimentos, o denominado sentido cinestèsico. Os tênis convencionais enfraquecem os músculos e ligamentos e bloqueiam a recepção de informações vitais sobre o terreno percorrido. O que faz sentido se pensarmos na cadeia dos proprioceptores, que recebem e organizam a informação, transformando-as em ações em forma de movimento.
Ola
Estava procurando informações sobre correr sem calçados quando encontrei esse site, muito legal por sinal, parabéns.
Entretanto, por ser um eco-chato de profissão (Eng. Florestal), sinto-me no dever de comentar a mensagem do pepe.
Por mais que concorde que há sempre extremistas em qualquer discussão, observo que, infelizmente, grande parte de nossa sociedade, vê com desconfiança as ações dos eco-chatos, dos pseudo-radicais das cidades até os profissionais.
Acham um absurdo pedirmos a proteção de uma espécie, independente do carro que usamos, da comida que consumimos, ou seja do estilo de vida de cada um.
O mais engraçado é que em outras áreas da sociedade, o mesmo não se observa. Por exemplo, não é porque alguém reza todo dia, que se espera que ele(ela) seja um(a) santo(a). Aliás, se espera tudo dessa pessoa, menos a santidade.
Considero que profissionais religiosos ou ecológicos devam sim demonstrar esse comportamento, mas esperar o mesmo de um cidadão comum, isso sim é radicalismo.
E viva o papagaio do bico cor-de-rosa-e-chumbo!!!
Abraços e parabéns pelo site novamente.
Estevão
Muito bom o artigo postado no blog. Sou fisioterapeuta, trabalho com a podoposturologia e entendo sobre barefoot running.
Atualmente a indústria de calçados está preocupada demais com o conforto e esquece da funcionalidade. Vejo nas lojas calçados com uma sério de inovações em sistemas de amortecimento mas nenhum respeita a biomecânica dos pés. São tênis com apoios de arcos, materiais de absorção de impacto na região do calcâneo que mais parecem saltos ou molas. É uma pena que os calçados tenham evoluido desta forma e por isso os consumidores pagam mais de R$ 600,00 em um par de calçados que não respeita o funcionamento dos pés.
Tenho usado o VibramFivefingers todos os dias e tenho o maior respeito por essa empresa. Encaro como um produto revolucionario e ficaria falando 3 dias sobre o Fivefingers.
Se alguem tiver interesse em saber sobre barefoot running, procure no Google sobre Dr. Nicholas Romanov. Existe um site onde um vasto material sobre o assunto que vale a pena investir tempo e dinheiro.
Concordo plenamente com seu post e acho que as pessoas deveriam usar um desses. Só falta começarem a vender!
Rodrigo, muito legal a matéria sobre este calçado!
Você poderia me indicar onde posso comprar-ló?
Um grande abraço.
Tenho uma sequela no punho e fui desencorajado a treinar qualquer coisa que forçasse o mesmo. Desobedeci as ordens médica e no entanto nunca deu problema algum. Isso ja faz 9 anos. Moro na praia e corro descalço. Nunca tive problema algum. No asfalto corro com tenis. Não vejo problema algum em correr descalço e acho que a opinião de médicos e profissionais de educação fisica são muito extremistas. Outro exemplo é o treino de calejamento das artes marciais onde qualquer médico diria ser loucura e no entanto são raros os casos onde afeta a saúde do praticante.
Procurei o finger five e não encontrei para venda no Brasil. Se alguem souber de alguma revenda por favor coloque no site.
Abraço e bom treino.
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