Nostalgia: Vôo Memorável do Palha ao Barigui

No Pedal da Destruição da Serrinha, no sábado passado, mostrei para o Luiz uma antena de telefonia que tem um significado especial para mim. Já falei dela em outro pedal da Serrinha, onde mostrei que, se agora sempre a vejo de baixo para cima, já a vi, algumas vezes, de cima para baixo.

Foto da antena. Acredite, ela está no final da seta:

Para quem não acreditou, veja o mesmo local através do Google Earth, com a sombra da antena no círculo:

No dia 19/12/1998 consegui, junto com outros três pilotos de parapente (Ronaldo, Giba e Emerson), fazer o primeiro vôo entre o Palha e o Parque Barigui. Hoje em dia isso não é grande coisa, já que a distância, em linha reta, entre os dois pontos, é em torno de 22km, mas naquela época, foi um grande feito.

Curitiba nunca foi um grande local para vôos de parapente. As condições meteorológicas não são boas e os vôos legais são raros.

Neste dia aprendi uma coisa: a persistência acaba gerando bons frutos. Eu sempre fui daquele tipo fissurado. Não deixava de voar, pois poderia aparecer uma condição boa e eu não estar lá. Acho que foi naquela época em que comecei a ter uma relação de amor e ódio com a chuva. Assim não precisava ficar preocupado, caso chovesse. Ninguém estaria voando e a condição seria ruim mesmo.

Me lembro muito bem daquela manhã. O dia amanheceu fechado, sem muitas perspectivas. A Bel não quis ir pois achava que não daria vôo. Mas eu não desisti, peguei o equipamento e fui mesmo assim.

A persistência acabou funcionando. Apesar de não terem cúmulos (aquelas nuvens tipo pompoms de algodão), o dia estava cheio de térmicas. Dois decolaram e ganharam altura rapidamente. O Giba foi em seguida e depois eu.

Chegando perto de Curitiba o visual foi fantástico (veja foto inicial). Deixei o verde e as estradas de terra e encarei um mar de prédios à minha frente. Nunca vou esquecer aquela visão, o vento levemente gelado e uma cidade inteira aos meus pés, literalmente! 🙂

Perto de Campo Magro fiquei bem baixo, mas tive paciência e consegui ganhar altura, para não mais perder. Cheguei ao Parque Barigui com mais de 1.500 metros acima do chão (2.481m asl). Poderia ter continuado o vôo, mas a aura que era chegar voando no parque bateu mais forte. Fiz várias espirais e pousei ao lado do lago e fui comemorar com o pessoal que já aguardava por lá. Também liguei para a Bel, pedindo para ela ir me buscar, tirando uma casquinha já que ela achava que não daria vôo naquele dia. 🙂

Este não foi o meu maior vôo, mas realmente foi um dos melhores. Fiz ótimos vôos de 50km em Minas Gerais, mas como dizem por aí: “there’s no place like home“! 🙂

Comments

  1. Renato says:

    Legal, cara, só faltou a foto da torre!

  2. Osmar says:

    Fantástico esse dias de vôo não?!
    conseguir uma meta no vôo é uma coisa que não tem preço.
    Nesse carnaval, volto a voar, bateu a saudade e hoje tenho a certeza que não consiguirei largar o vôo, mas agora vou ter de dividir o espaço com a bike.
    Rodrigo, não tem mais vontade de voar?
    abraço
    Osmar

  3. eros says:

    Parabéns! Bonito relato. Posso perguntar uma coisa? Por quê deixou de voar de parapente? Acho que isso eu não vi em nenhum post ainda.
    Até mais.

  4. Rodrigo Stulzer says:

    Renato,
    A antena está lá mesmo. Atualizei as fotos para o pessoal entender melhor.

    Osmar e Eros,
    Parei de voar por várias razões juntas, não foi uma coisa sozinha. Foi uma época muito boa, mas no momento não tenho vontade de voltar. Qualquer hora conto aqui no blog os motivos.