Pedal de Volta ao Passado

Você já deve ter notado que os últimos posts foram sobre bicicleta. Não tem jeito, a paixão pelo pedal voltou com tudo. Ainda mais depois de ganhar uma bike nova da minha maravilhosa amiga/namorada/esposa Bebel! Assim não tem jeito, tenho que aproveitar! 🙂

E neste final de semana não foi diferente. Depois de correr 5km no sábado à tarde, me preparei para o pedal de domingo, que seria em torno de 50km e me levaria de volta ao passado.

Como eu estava seco para inaugurar a minha bike nova resolvemos fazer um pedal de verdade no domingo. O pedal de terça não valeu: andamos pouco, teve muitos entretantos e saímos tarde.

Desta vez fizemos do jeito certo: saímos cedo, fomos para um lugar legal, e pedalamos como gente grande.

Eu sugeri a ida para o Morro da Palha por razões histórico/sentimentais. Lá foi o lugar que mais fui quando comecei a pedalar, logo depois que comprei a minha primeira mountain bike. Foi lá também que passei mais de cinco anos de minha vida, voando de parapente: o Morro da Palha foi quase a minha segunda casa neste período. Nesta época voar era só o que eu conseguia pensar. Mas isso é uma outra looonga história que qualquer dia conto por aqui. 🙂

Como a pedalada era maior, saímos pelas 08:30h da manhã, pegando um friozinho e um pouco de neblina bem húmida. Logo desistimos do Anorak; o calor do pedal foi maior e começamos a tirar os agasalhos.

Passamos pelo famoso Bar da Canelinha, que fechou, e seguimos em frente. É interessante como mesmo depois de anos sem passar por um lugar eu consigo lembrar perfeitamente dele. A trilha dali para a frente me levou anos de volta no tempo.

A primeira encruzilhada levava à Serrinha, pela esquerda, e outro caminho velho conhecido, à frente. Lembrei que já havia voltado pela Serrinha várias vezes, mas tinha ido poucas da Canelinha para lá. E como a volta da Serrinha é subida que não acaba mais, achei melhor seguirmos por ela.

A parte da subida da Serrinha não é tão puxada e curtimos a paisagem, conversando. Passamos pelo Morro do GT, onde o pessoal de moto já conseguiu fazer crateras enormes e o Claro/Rodrigo resolveram subir e descer pedalando para treinar um downhill. Eu e o Marco ficamos só vendo e filmando tudo.

Depois do GT vem a parte mais legal da Serrinha, que é uma descida grande, com boa inclinação, mas cheia de pedras soltas. A minha bike nova já tinha se mostrado ótima até aquele trecho: macia e muito boa de pilotar. E nas descidas, como a suspensão, ela mostra a sua garra. As descidas são macias e convidam para liberar os freios e deixá-la acelerar, fazendo o vento bater forte no rosto.

Entramos na estrada e  decidimos não subir o Palha, pelo horário já adiantado. O Claro tinha compromisso e deixamos a subida para outro dia.

Falando nisso outra razão para ir até o Palha foi que daqui a duas semanas acontecerá uma corrida em montanha lá mesmo, e quero participar. Serão 12km em meio a trilhas e subindo e descendo morros. Stay tuned!

Resolvemos então seguir até o Bar do Paulo para beber alguma coisa. Nos tempos do voo livre o bar era o ponto de encontro de todo o pessoal. E ele não mudou nada nestes quase 10 anos que deixei de frequentar o local. 🙂

Depois de descansar, tirar umas fotos e tomar uma gasosa para lá de artificial, pegamos as bikes e começamos o pedal de volta.

Lavoisier fez uma frase que acho que se aplica a quase tudo no mundo: “Na natureza nada se cria, nada de perde, tudo se transforma“. Se tínhamos pego uma descida enorme na Serrinha, e voltaríamos ao mesmo ponto de partida, iríamos enfrentar uma subida grande mais cedo ou mais tarde.

E a subida apareceu, leve no início, mas interminável. Eu, que estava no maior gás durante todo o pedal, também diminuí o ritmo nesta parte.

Subidas são meio massacrantes, mas também muito boas para apurar a técnica. Eu gosto bastante de deixar a marcha um pouco mais pesada e subir vários minutos em pedalando de pé. É bom porque muda o esforço nos músculos e você aprende a dosar melhor o desgaste sobre as várias partes do corpo.

Eu estava em ótima forma física, me sentido bem e pedalando com vontade durante todo o trajeto. Com certeza a bike nova contribuiu nisso, pois o psicológico estava nas nuvens 🙂 Nada como ter um motivador para se alcançar os objetivos.

Já eram 11:30h e a previsão inicial de chegar em casa as 12:00h já tinha ido para o chinelo. Ainda tínhamos um bom caminho pela frente e resolvemos seguir direto pelo asfalto de Campo Magro até Santa Felicidade. E bota força no pedal!

Numa encruzilhada de Campo Magro tem uma antena grande, que passo toda a vez que faço o Circuíto de Campo Magro (1, 2). Eu sempre vejo ela de baixo para cima, mas já a vi uma vez de cima para baixo, quando fiz o primeiro voo do Palha ao Barigui, lá pelos idos de 1998.

De baixo, em 2009:

De cima, versão 1998:

Para variar cheguei radiante em casa. Nada como um bom pedal que te deixa cansado mas cheio de energia. A endorfina é uma droga maravilhosa, além de ser legal e de graça. 🙂

E para você que leu até aqui, segue o vídeo que editei da pedalada. Enjoy! Quem está lendo pelo feed ou por email pode clicar aqui para ver o vídeo incorporado.

Comments

  1. […] Neste sábado participei de uma prova de corrida em montanha promovida pela Naventura. A etapa era de 12km subindo uma montanha muito conhecida minha: o Palha, onde voei de Parapente nos meus tempos de voo livre e fiz um pedal muito bom a algumas semanas atrás. […]

  2. […] sábado fizemos um pedal pela região de Campo Magro. É um lugar que vou a muitos anos, desde que comecei a andar de bike. Os meus três companheiros foram o Luiz, Renato e Matheus, que […]