Pedal dos Infernos: Curitiba a Garuva via Estrada da Limeira

Neste sábado fizemos um pedal que eu planejei a algum tempo: Curitiba à Garuva via Estrada da Limeira. A ideia surgiu quando eu estudava o possível trajeto para o Trekking de 100km que pretendo fazer ainda este ano. Como eu nunca havia passado pela Estrada da Limeira, achei prudente fazer esta parte do trajeto antes para conhecer o local.

O pedal foi de 140km e o trajeto foi: Curitiba -> BR277 -> entrada Morretes -> Estrada da Limeira -> Garuva. Para quem é da região deve estar se perguntando: o que? Tem uma estrada que liga Morretes à Garuva? Sim, caro amigo, a Estrada da Limeira é o antigo traçado da BR101, que por várias razões, nunca foi concretizado. O pedal foi muito legal, mas bem cansativo devido ao calor escaldante que pegamos no trajeto. Olha, você pode não acreditar, mas estava muito quente. Muuuuuuuito quente mesmo. MUUUUUUITO!!

Saímos de Curitiba às 06:30h em dez pessoas: Rafael Gassner, Luiz Oliveira, Fabricio Souza, Mildo Ari, Fabio Farpado, Daniel, Matheus, Renato Pedaleiro, Markito e eu. O objetivo era chegar à Garuva a tempo de cinco pegarem o ônibus de volta à Curitiba. Eu, Matheus e Renato iríamos seguir até Guaratuba. O Markito estava cansado e acompanhou a gente até o pedágio da 277.

Um pedal com esta distância precisa de alguma organização, principalmente na parte de alimentação e hidratação, então as mochilas estavam bem cheinhas. O único que foi quase vazio era o Renato, que não sei o que levou para comer. Acho que estava de regime. 🙂

A primeira parte do pedal foi tranquila e só paramos uma vez na descida da serra com um pneu do Matheus furado. Foram uns seis ao longo de todo o trajeto.

Chegamos na entrada da Limeira por volta das dez da manhã já com quase 70km pedalados. Entramos na estrada de terra e nesta hora que o calor mostrou toda a sua força. Sem nenhum vento e com um céu inteiramente azul, o sol começou a sua longa tortura. A subida da serra da Limeira parte de poucos metros acima do nível do mar e passa dos 400m de altitude; isso tudo em uns 5 quilômetros, como dá para ver na altimetria gerada pelo Luiz:

À esquerda da estrada dá para ver a Serra da Prata, uma montanha que escalei a vários anos atrás, junto com o Máfia e o Drá, da Mont Blanc. Local bem legal mas pouco escalado por aqui.

O calor era tanto que foi impossível subir sem parar a cada poucos minutos e além disso a estrada é cheia de pedras. Quando perguntei sobre a estrada para quem já havia pedalado por lá me falaram que havia muitas pedras soltas. Na verdade a estrada só tem pedras! 🙂

Para piorar, depois de passar a serra, quando achava que daria para largar um pouco a bike, tive que segurar ainda mais, pela quantidade de pedras soltas no caminho. Era um tapete de pedras tão grande que tinha horas que não dava para ver a estrada!

Renato na Serra da Limeira. Vejam as pedras soltas!

Depois da descida da serra fica um sobe e desce por vários quilômetros até que chegamos no lugar abençoado de todo o trajeto: o rio Canasvieiras! Ali é um ponto de parada, já que existe uma lanchonete/mercadinho bem decente e um recanto. Paramos na hora e corremos para o rio, com uma água gelada maravilhosa. Eu nem queria sair dali, mas o Gassner trouxe sanduíches enormes para todos e resolvemos que era hora de almoçar. Depois de vários sanduíches, azeitonas, latas de sardinhas e coca-colas litro, levantamos acampamento e continuamos o pedal. Faltavam ainda quase 50km para Garuva.

A estrada neste trecho é praticamente plana, mas as pedras continuam dando cria, dificultando o avanço. Há, e não se esqueça do calor, que estava muito presente! 🙂 Nesta hora todos ficaram bem longe um do outro e só fomos nos reencontrar na Ponte Pênsil. Já era quatro da tarde e o pessoal tinha que correr, se quisesse pegar o ônibus. Tiramos algumas fotos e eles foram embora. Fiquei esperando o Renato e o Matheus para continuarmos juntos. Antes deles chegarem passou o Daniel com pressa para conseguir também pegar o ônibus.

Seguimos em frente e finalmente o sol deu uma trégua. O céu ficou nublado e a temperatura amenizou, melhorando muito o pedal. Mesmo assim o calor já havia feito o seu estrago e o pessoal estava bem cansado. Resolvemos ir somente até Garuva, pois para Guaratuba teríamos que pedalar mais 35km. Para adiantar as coisas fui na frente até conseguir um sinal de celular e liguei para a Bel, que nos aguardava em Guaratuba. Ela e a Patricia foram até Garuva para nos resgatar.

Chegamos em Guaratuba e caímos direto na piscina, só saindo de lá para comer o delicioso jantar que a Bel, Patricia e Jaqueline haviam feito para nós!

O domingo estava nublado mas aproveitamos para ir na piscina e brincar um pouco de bumerangues. O Renato e o Matheus levam jeito, e só precisam treinar mais um pouco!

Resumo: pedal de 140km de Curitiba até Garuva pela Estrada da Limeira.  O sol nos castigou no trajeto inteiro e sofremos bastante. O grupo foi muito legal e nos divertimos muito! Mas para a Limeira eu só volto no frio! 🙂 Menção honrosa ao Matheus, que foi muito guerreiro e nunca tinha feito um pedal tão longo assim!

Agradecimento especial ao Du pelo tracking  e pelos vários emails trocados!

Outros relatos: Luiz, Renato e Fabricio

Comments

  1. george says:

    Cacete! Que trip diabólica mesmo! Fiquei com vontade de correr isso aí, mas saindo la de baixo, é claro, pq asfalto to fora…

    Parabens pela trip e pelo relato!

  2. Luiz says:

    Calor infernal, suspensão quebrada, mas com uma bela aula de geografia 🙂

  3. Matheus says:

    Obrigado Rodrigo e a todos os companheiros. Apesar de ter “sofrido” bastante entre sol, pedras, e a longa distância, foi muito gratificante, belas paisagens e boas companhias…valeu mesmo.

  4. Renato says:

    Pedreira, literalmente! Mas, como bem disse o Matheus, se não fosse o visual já teria desistido. Vale por todas as pedras que nos sacolejaram pelo caminho. Quando faremos outra?

  5. […] Pedal dos Infernos: Curitiba à Garuva via Estrada da Limeira; […]

  6. Como o Renato disse: Pedal com o Rodrigo é de matar… valeu pela empreitada e vamos para o próximo.

  7. du says:

    Stulzer, Parabéns pelo projeto concretizado. Não pude ir mas fiquei feliz de ter acompanhado o processo (leia-se ansiedade e angústia) de planejamento, e mais ainda com os resultados.
    Resto da turma, parabéns pela conquista!

  8. xampa says:

    Que pedal animal !!!

  9. markito says:

    Pessoal, eu realmente não estava bem, pois na volta a curitiba, pela 1ª vez na minha vida pedi socorro na altura da coca-cola, faltando 10km para chegar em casa. Ainda bem que eu tive a presença de espÍrito de não seguir com vocês. Parabens a todos pela conquista!!! Até a proxima.

  10. mildo jr says:

    isso ae man,, simbora pra proxima!!!!!

  11. Fabio says:

    Obrigado Rodrigo pelo convite…e a todo o pessoal que pedalou nesta aventura.

  12. Mildo Jr says:

    ouw Fabio,, vc vai ser convidado somente se levar um salaminho,, queijinho e tal,, se nao,, ta fora,,

    hauhuauhaauh

  13. Elvis says:

    Tenho um amigo, o Sidnei, que é chegado nessas aventuras e já “fez” essa estrada também, mas começando pelo lado oposto (por Garuva, já que somos catarinenses). O site dele é http://equipepedrabranca.blogspot.com/.

    Eu morro de inveja dessas coisas, recomecei a praticar exercícios todo dia para ver se de Maio em diante, com o clima mais ameno, faço a “minha” aventura também. Provavelmente descer a serra pelo trilho à pé ou coisa do gênero.

    Nos anos 90, passei por muitas destas andando de mountain bike, mas curiosamente nunca tive um pneu furado (exceto uma vez mas foi uma garrafa quebrada no asfalto e quase ao lado de uma providencial borracharia). Vocês usam pneu sem câmara ou algo do gênero?

  14. Rodrigo Stulzer says:

    Oi epx!

    Também acho que nos anos 90 furávamos menos pneus. Usamos pneus com câmera. Acho que eles ficaram mais leves, mas também mais “delicados”. Hoje é comum ter pneus sem arames, que é fácil de enrolar e levar junto na bike. Os antigos não davam para fazer isso.

    Outra coisa que contribuiu para o aumento do número de pneus furados é que hoje a galera pedala mais (é até comum pedais de mais de 100km) e cada vez por lugares mais inóspitos…

    Poderíamos marcar algo qualquer dia!

    Abraços!

  15. Cesar A Felber says:

    Vamos falar sério… isto é o pedal do CÉU ! Vou fazer neste sábado dia 23/10/2010. Gostei de ver um outro ponto de vista para este delicioso passeio. Sempre fiz de moto, ou seja, a serrinha é muito bacana. Já fiz este percurso umas 8 vezes. Pena que fizeram a ponte no rio Canasvieiras em 2006. A partir dai o passeio nunca mais teve a mesma graça !!! Tenho uma planilha com uma versão “rally” com distâncias e desenhos com referência de curvas bifurcações e tudo mais. Se quiserem é só pedir. Obs.: Vamos voltar de VAN de Garuva, pois também somos filhos de Deus…

  16. Alvaro Luiz says:

    Parabéns!!!!!!! Em qual mês vcs fizeram a trip? Após essa tragédia no litoral em especial nessa região, vc sabe quais são as condições de tra´fego por essa estrada? Existem muitas famílias morando ao longo da estrada?
    Abraço
    Alvaro Luiz Wolff

  17. Alesandro says:

    Bom dia, verifiquei a aventura de voce´s e tenho uma noticia existe uma segunda opção de morretes até a limeira pelo outro lado da serra que pode ser bem mais legal pois quase não ha moradores e pra quem gosta de aventura é que a, ja fiz os dois percursos só não cheguei até garuva.
    Abraços.

  18. Thiago Mayer says:

    Cara fera, fiz esse pedalzinho aí, Domingo de 19/02/2012, mas não fiz de curitiba descemos de onibus até morretes, tava um calor de uns 40 graus, tinha bastante caminhonete, jeep e até alguns fuscas na serra da limeira, pedalamos só 70 Km, a tendinite do parceiro nos atrasou bastate e ainda mais somado com o desgaste do sol e do calor, chegamos em garuva contentes pois tinhamos onde ficar, A PROPÓSITO QUE FOR FAZER ESSE PEDA AÍ GALERA E QUISER PERNOITAR POR GARUVA MEU PAI É DELE LÁ, TEMOS UMA CHACARA ALI LOGO NA CHEGADA DA ROTATORIA NA RUA SÃO JOÃ ABAIXO, SÓ AVISAR MANDA UM E MAIL ETC. QUEM SABE ATÉ VOU JUNTO !! MTO LOCO ESSA ROTA !! UM ABRAÇO !

  19. Luciano Licheski says:

    Na década de 90 fizemos este trajeto sem gps, celular ou qualquer outro recuro. Éramos 10 malucos em pleno dia dos namorados com o maior frio de manhã, calor durante o dia e frio ao entardecer. Conseguimos sair do meio do mato encontrando o rio Cubatão (20 km longe de garuva) ao por do sol. Exceto o Paulo Jamur e eu, todos tinham cãimbras, fome e frio. O Jamur e eu fizemos os 20 km até Garuva pra chamar os carros de apôio que voltaram pela estrada de terra buscar os parceiros que esperavam extenuados… Aquilo foi muito duro!!!