Pensamentos a Respeito da Corrida de Aventura de São José dos Pinhais 2010

Não vou fazer aqui um relato da Corrida de Aventura de São José dos Pinhais, que aconteceu no último sábado. Acho que o vídeo que eu e o Minduim fizemos da prova dá uma boa ideia de como ela foi. Quero somente colocar alguns pensamentos que me ocorreram durante e depois da prova, para não deixar isso escapar.

Prova Dura e Tempo Estimado

A minha única sugestão para o Julio e para o pessoal da equipe Guartelá foi que eles deveriam ter dito o tempo estimado para se completar a prova. Por tabela eles acabaram falando, pois nos boletins já tinham algumas coisas sobre navegação complicada e trechos em serra. O problema foi que quase todo mundo se enganou devido à baixa quilometragem da prova principal (57,5km), achando que seria uma corrida curta. No final ela foi mais pesada que a prova de Prudentópolis, que teve 100km.

Acho que se o tempo estimado fosse divulgado antes, muita gente que se inscreveu na categoria Expedição iria continuar optando pela categoria Aventura. Mas no final isso não é culpa de ninguém e faz parte das corridas de aventura, já que não sabemos o  trajeto previamente. De resto só tenho a agradecer ao Julio e ao pessoal da equipe Guartelá. Prova dura mas muito legal, com várias transições e modalidades diferentes!

Equipamentos Básicos de Proteção

Nossa, o que foi aquele corte na mão de um participante da prova! Um buraco enorme entre o polegar e o indicador, causado por causa de algum bambu/taquara que pegou na mão dele. Mas o pior de tudo é que isso não precisava ter acontecido. Ele só deveria ter usado uma luva! Logo no começo do vídeo ele aparece na parte do pedal, sem luvas também. Pessoal, luva e capacete são equipamentos básicos! Devem ser usados durante toda a prova. Eu me sinto pelado se fico sem luvas ou capacetes na minha bicicleta. Melhoras, caro amigo!

Navegação

Eu ainda tenho um bom caminho para melhorar na navegação, principalmente na parte de identificação clara das curvas de nível, traduzindo isso, dentro da minha cabeça, para subidas e descidas. Sei ver curvas de nível e sei onde vou subir ou descer. Mas peco em fazer isso saltar aos meus olhos quando olho rapidamente o mapa.

Também acho que o pessoal tem que se aprimorar na navegação na hora da bike. Vi muita gente parando a cada bifurcação para ver o mapa. Eu normalmente zero o odômetro da bicicleta e vejo a quantos quilômetros está a próxima mudança de trajeto. Daí é só acompanhar a quilometragem e pronto. Normalmente funciona.

Também sugiro confiar mais em você do que nos outros. Se alguém diz que o caminho é para a esquerda e não pela direita, pelo menos verifique no seu mapa e veja se isso bate com a bússola. Na saída do rio, para o PC7, acabei não insistindo naquele caminho quando outra equipe que estava junto com a gente achou que não era por lá, e perdemos uns 20 minutos. Uma simples olhada melhor iria nos mostrar o PC ao lado das manilhas.

De Grão em Grão

Muitas pessoas me perguntaram como conseguimos ficar doze horas seguidas correndo, caminhando, andando no rio ou pedalando. Na verdade eu queria ficar só oito, como fez a equipe que chegou em primeiro lugar. 🙂 Como não somos rápidos, temos que ter resistência física. Uma coisa é a base de treinamento que temos, de anos de outras modalidades esportivas. Isso é de cada um e não tem muito o que se falar a respeito (na verdade tem, mas não é a hora). A questão aqui é conquistar um quilômetro por vez, um PC por vez.

Como o Minduim bem colocou no vídeo, cada PC novo nos dava uma motivação, pois havíamos acabado de sair de uma roubada (rio, montanha, etc) e queríamos esquecer aquilo. Então a nossa motivação era sempre a próxima bifurcação de bike, que estava a três ou quatro quilômetros à frente ou o próximo PC no trekking. Numa prova dessas não dá para pensar nos 40 quilômetros ou nas cinco ou seis horas que faltam para acabar. Se fizéssemos isso seria pedir para desistirmos.

Camaradagem

Não entendo como podem ter pessoas que não sejam camaradas em uma corrida de aventura. Até se justifica uma competiçãozinha em determinadas situações, mas ignorar os outros participantes me parece uma ideia idiota. Por sorte isso só aconteceu com uma pessoa durante toda a prova, e prefiro pensar que este cara estava em transe e não nos escutou falar. De resto todas as pessoas e equipes que cruzamos ou fizemos trajetos juntos foram ótimos! Companheiros, alegres, se divertindo e trocando ideias. Muito bom!

E no final acabamos ficando com o sexto lugar, de um total de 24 equipes na categoria expedição; destas só 10 acabaram completando todo o trajeto, que que mostrou que a prova estava difícil mesmo.

O Desapego

Uma coisa que sempre me surpreende nas corridas de aventura é o desapego que desenvolvemos com relação a algumas coisas. Se no começo nos cuidamos para não pisar na lama ou não molhar os tênis, isso logo desaparece. A partir de um momento eu não me importo mais em me sujar, em pisar na lama, em ficar de quatro para passar uma floresta de bambus ou me enfiar no rio com tudo. Nada daquilo importa. O que conta é seguir em frente, com o objetivo de chegar ao final. É muito legal ver que não possuímos, pelo menos naquela hora, frescura nenhuma, e o que vale é o avanço ao objetivo final.

A Dureza e os Pequenos Prazeres

Outra coisa legal é que a dureza da prova me faz dar valor a coisas simples, que tomamos como garantidas. No final, depois de quase doze horas de corrida, chegamos ao asfalto. Nossa, como aquilo foi fantástico! Poder andar por uma superfície lisa! Mais do que isso, a iluminação! Nossa, como é bom poder ver luz na sua frente! 🙂 Nessas horas uma simples latinha de coca-cola tem um gosto totalmente diferente! Parece um manjar! 🙂

A Diversão

Não canso de falar aqui: para participar de provas de Corrida de Aventura você tem que se divertir. É claro que passamos por sufocos, partes ruins e cansaços extremos. Mas durante todo o trajeto eu me diverti bastante. E acho que isso é o essencial para terminar provas como essa. Se você não está se divertindo, o psicológico não vai te ajudar. Pense positivo e vá em frente, sempre sorrindo, como diz o Mildo! 🙂

Fotos: Minduim e Rodrigo

Comments

  1. george says:

    Sensacional! Esse é o espírito da aventura, do transpirar, do viver: se divertir. Mandou super bem, mais uma vez, no texto e no video da prova.

    Abraços!

  2. Renato says:

    Concordo com o que você disse. Se o cara vai lá para se fresquear, ficar reclamando, melhor ficar em casa. A prova é dura por si só, mas esta, em especial, teve o clima como grande inimigo: frio, chuva ou garoa derruba qualquer ânimo.

    Acho as corridas de aventura, pedais longos, montanhismo, como uma volta ao passado, quando os homens (e mulheres) viviam a natureza mais de perto por que dependiam dela. Hoje, nos grandes centros, temos tudo à disposição e não aprendemos mais a nos localizar, a sentir as itempéries, enfim, a saborear a natureza com tudo que ela tem de bom e ruim.

    Legal, continuemos assim, nos divertindo à beça!

  3. Mildo Jr says:

    mooooooooooove

  4. Matheus says:

    Adorei a definição da latinha de coca-cola…” Parece um manjar!”… hahahaha.
    É isso aí, em tudo na vida tira-se várias definições aos olhos de quem realiza as coisas com prazer.
    Bela aventura!!!
    Abraços.

  5. Muito legal o relato e esse espírito fair play da equipe.
    Um super abraço da Família Xokleng

  6. MARKITO says:

    A prova foi de lascar, nos perdemos feio no meio do mato, fomos desclassificados,não fizemos o rapel, mesmo assim, foi uma das melhores provas que ja participei, minha equipe feita de duas duplas estava tinindo, com garra e determinação.E o melhor da prova é quando alguém te estende a mão em um momento difícil, esse é o espírito. Sem isso não teria a menor graça.

  7. Nossa que prova! Tenho alguns conhecidos e amigos que fizeram essa prova, no caso a Liz. eu tava curioso por causa do dia chuvoso. Foi forte!
    O detalhe do colega que cortou a mão. De fato a luva na mata é imprescindível.

    Parabéns pelo relato e vídeo.

  8. […] fiz na Corrida de Aventura de São José dos Pinhais, quero deixar aqui as minhas impressões da prova de Irati, que fizemos no último final de semana. […]