Reflexões a Respeito da Corrida de Aventura de Irati 2010

Como fiz na Corrida de Aventura de São José dos Pinhais, quero deixar aqui as minhas impressões da prova de Irati, que fizemos no último final de semana. Já publiquei o vídeo, então deu para ter uma boa ideia do que aconteceu. Não vou fazer aqui um relato da prova, pois o Luiz já fez um bem completo. Quero, no fim das contas, compartilhar alguns pensamentos desta corrida.

Provas Fora de Curitiba

Sei que é mais chato e complicado participar de provas fora de Curitiba, mas também é uma maneira de conhecermos lugares novos e respirar outros ares. Pense nisso quando torcer o nariz para provas em outros lugares. Faça uma força e vá correr em outras cidades. Faz bem e não custa tanto assim.

Companheiro de Equipe

Infelizmente o meu companheiro de equipe oficial, o Minduim, não pode participar desta prova. Ele resolveu jogar futebol e machucou o pé. Sempre digo que futebol faz mal, mas as pessoas não me escutam. 🙂

Eu acabei convidando o Luiz “Bichoooo” Oliveira, que aceitou e foi um ótimo companheiro. Sempre de alto astral e disposto a encarar o perrengue. Valeu Luiz!

Equipe Atairu

Acabamos correndo toda a prova juntos com a equipe Atairu, formada pelo Peterson e pelo Guilherme. O Peterson eu já conhecia de outros pedais, mas o Guilherme não. Os dois são muito legais e afinamos bastante. Fazer a corrida junto com eles foi bem divertido e ótimo para trocar experiências. O Peterson e eu navegamos juntos, um complementando o outro e o Guilherme nos ensinou bastante sobre suplementação e força bruta, um verdadeiro trator!

Apreensão Pré-Prova

Desta vez a minha apreensão pré-prova foi quase uma depressão. O que me abalou realmente foi a baixa do Minduim e a necessidade de procurar um outro companheiro. Logo depois que ele me falou que não poderia ir, pensei em não participar desta etapa. Até seria uma boa desculpa, pois eu estava sem companheiro. Mas a responsabilidade e o foco me fez superar este revés e acabou dando tudo certo.

Mas o negócio foi complicado. Até eu fechar com o Luiz estava bem desmotivado. Depois as coisas foram melhorando e nos últimos dias eu já estava eufórico, querendo que a prova viesse logo. O legal de tudo isso é que foi só a corrida começar que tudo passou e virou alegria. Tenho que aprender a não me abalar quando coisas deste tipo acontecem.

Ritmo na Prova

Desta vez me superei no ritmo empregado na prova. Nas outras vezes eu não ia tão rápido ou forçando o ritmo. O culpado foi o Guilherme, que é um touro e sempre estava nos incentivando a pedalar um pouco mais forte ou trotar nos trekkings. Obrigado Guilherme! 🙂

Alimentação

No final da prova eu não conseguia mais comer as coisas que levei (gel, barrinhas e batata assada). Não descia mais nada e o estômago parecia uma flor, de tão indignado que estava com o que eu estava comendo. 🙂 Isso acabou me levando a ficar fraco, pela falta de comida, nos quilômetros finais.

O Guilherme notou que eu estava muito devagar e me disse que eu estava tendo um “pico de fome”, que nada mais é que o estar com o tanque vazio, parando por falta de gasolina. Em seguida ele me deu algumas de suas coisas para comer e melhorei bastante em relação ao que estava. Ainda estava fraco, mas pelo menos deu para terminar a prova em melhores condições.

Mesmo estando melhor, o pessoal estava com um condicionamento melhor que o meu, e tive a ajuda do Guilherme em várias subidas no último trecho de bike. Lição para a próxima prova: levar um sortimento mais variado de comida e treinar um pouco mais para melhorar o preparo físico, em um ritmo mais puxado.

Trajeto da Prova

Gostei bastante do trajeto, apesar de ter trechos muito grandes de bike. Quem sabe se existissem transições entre trekking e bike mais constantes poderia melhorar um pouco. Mas também entendo perfeitamente, pois a cidade de Irati era bem longe do Canion e da Caverna, o que ocasionou os grandes pedais.

A paisagem era muito bonita com destaque para a Serra da Esperança, que nos proporcionou visuais incríveis. De resto ótimas estradinhas de terra de interior, como já estamos acostumados nos pedais de fim de semana. O tempo ajudou muito, com sol o dia inteiro, o qual levantou o moral da galera.

Navegação

Só tivemos problemas de navegação nos PCs 1 e 2 (como a maioria das equipes). Não sei, mas tenho uma opinião com PCs dentro da cidade, na área urbana. Eu acho que estes PCs deveriam se restringir ao mínimo, ou até mesmo não existirem. Se os PCs 1 e 2 fossem eliminados, começando o trajeto pelo PC3, perto das antenas, ninguém teria tido problemas.

Acho que o grande vilão de PCs dentro de áreas urbanas é a escala do mapa: 1:50.000 deixa tudo muito pequeno e não é legal para lugares muito perto uns dos outros; para o resto da prova esta escala é ótima. Mas também isso faz parte da corrida, e teve pelo menos duas equipes que não erraram, como o resto de nós. E se eu não tivesse errado, não acharia nada incorreto com estes PCs em áreas urbanas. No final das contas temos que estudar mais  e treinar a navegação, sempre! 🙂

No resto do trajeto acertamos, até na decisão de não entrarmos no Canion e fazermos esta parte da prova pela estrada mesmo. Ganhamos algumas posições e não nos desgastamos.

Sapatilha e Tênis

Esta foi a primeira prova que fiz com sapatilha e tênis; em todas as outras eu usava pedaleira. Gostei da experiência e acho que de agora em diante será sempre assim. A sapatilha ajuda muito na pedalada, distribuindo melhor a carga pelos vários músculos da perna, e não forçando somente uma parte, como é o caso das pedaleiras.

O revés é muito pequeno, pois exige que quando estamos pedalando, que se leve o tênis nas costas. E nas partes de trekking a sapatilha fica na bike. Acho que o único problema é quando o pedal não rende (os famosos empurra-bike) e daí o trajeto será mais judiado, pois não é tão confortável andar de sapatilha quanto de tênis.

Um Quilômetro Após o Outro

Aqui vale o que falei nas reflexões da prova de São José dos Pinhais: sempre pensei no próximo quilômetro, na próxima encruzilhada e no próximo PC. Com este tipo de foco é bem mais fácil seguir na prova e não pirar no quanto ainda falta. Isso é um ótimo exercício para “enganar” o cérebro e dividir o objetivo final (chegar), em vários objetivos intermediários.

Colocação

No final da prova, mesmo tendo perdido uma hora entre o PC 1 e 2, acabamos chegando em uma boa colocação. O Julio nos deu o segundo lugar, empatados com a equipe Atairu, pois chegamos juntos (e fizemos toda a prova assim). Depois, quando ele reviu as planilhas, refez a colocação e nos passou para o terceiro lugar. Mesmo assim a colocação foi muito boa, pois tinham 16 equipes inscritas na categoria expedição e acho que só seis chegaram no final. E o Guilherme é um dos grandes responsáveis pela classificação, pois ele imprimiu um ritmo que tivemos que acompanhá-lo. 🙂

Video da Prova

Gostei do resultado final do video que produzi nesta corrida. Acho que uma das razões para eu ter a apreensão pré-prova é por causa do vídeo, pois tenho uma responsabilidade a mais, além de correr. A boa coisa é que o tempo estava bom e não tinha risco de chover e molhar a câmera, o que é sempre complicado.

Consegui boas tomadas e o pessoal ajudou a filmar algumas vezes. Acho que ficou interessante e também deu uma boa ideia de como foi a corrida. Gostei também de dividir o vídeo em duas partes, com uma introdução maior, como fiz com a Corrida de Antonina 2009. Apesar das entrevistas terem sido feitas no final da corrida, elas ficaram ótimas no começo do vídeo, dando uma reforçada na tensão de como a prova se desenrolaria.

Conclusão

Esta prova me mostrou que a apreensão pode ser combatida, um passo por vez, até o horário da largada. Seria muito fácil desistir antes, mas ignorei o baixo astral e fui em frente. Acabou dando certo e fiquei muito feliz com o resultado final, tanto da corrida em si quanto do vídeo que fizemos!

E o mais interessante é que três dias depois de ter feito a prova, já começo a pensar quando vai ser a próxima! 🙂

Comments

  1. Luiz says:

    Bicho, independente da colocação, fiquei muito contente com o resultado final. O aprendizado foi enorme.

    Concordo plenamente com suas observações sobre as provas fora de Curitiba. Em que outra oportunidade vamos pedalar e conhecer as cavernas de Irati. Mais importante, a picanha fatiada do tal Italiano?? Tá certo, a pizza também!!

    Valeu pelas insistência nas sapatilhas. Elas realmente são melhores. Só acho que dá pra melhorar um pouco na transição.

    Abraço

  2. Mildo says:

    O fods das provas fora daqui é que tem que ser um super alvará, pra mim não dava.
    Com certeza que com a sapatilha rende muito mais, mas tem o problema do empurra bike, acho que se tiver chance de chuva, acho meio arriscado, pois empurrar a bike na lama, com sapatilha acaba atrapanlhando, mas se tiver seco, com certeza vale a pena. Bacana o relato, e o Luiz é meio pentelho mas da pra aguentar,, hahahahahaha O vídeo ficou legal.

  3. Marco Barbosa says:

    Parabéns Rodrigão e Luiz.
    Fiquei com uma inveja “boa” desta prova. mas sei que teremos muitas outras para fazermos juntos.

    Abraços,

    Marco Aurelio (Minudin)

  4. […] na defesa e descanse no Ataque! Esta frase eu ouvi do Guilherme Miola quando fizemos a Corrida de Aventura de Irati. Numa das partes do Trekking ele explicou a tática que um treinador dele (acho que de handebol) […]

  5. […] Neste sábado fiz mais um pedal pela região de Campo Magro, que é o meu quintal de casa. Já faziam três semanas desde o pedal das Lhamas. Fora alguns pedais locais para perder a mão, estava meio sedento por algo um pouco maior, já que o último grande foi na Corrida de Aventura de Irati. […]

  6. […] e fica fraca, sem entender o que aconteceu. Eu mesmo já passei por algo semelhante no final da Corrida de Aventura de Irati; imagina alguém sem […]