Serendipidade

Existem situações que são descritas com uma só palavra e que o acontecimento pode ser explicado (e entendido) rapidamente. Saudade, por não ter palavra equivalente na maioria dos idiomas e ser de difícil tradução, é um clássico do português. Em outros países precisa-se explicar, com uma longa frase, o que a saudade significa. No português todos entendem esta palavra que nos toca o coração.

Falei tudo isso porque no meu pedal de domingo tive um caso de serendipidade. Segundo a Wikipedia: serendipidade se refere às descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso. A primeira vez que a ouvi foi em inglês (serendipity); gostei da sua sonoridade/sentido e  me parece que ela é muito mais usada nos EUA do que aqui no Brasil.

Bem, e o que aconteceu afinal?

Eu pedalava no interior de Colombo, em direção a Quatro Barras e tirava algumas fotos de casas e paisagens interessantes. Foi quando me deparei com uma imagem diferente: um cara cabeludo, de boné e óculos escuro, sentado numa varanda, acompanhado de um enorme cachorro.

Achei legal a cena, mas como sou meio tímido, continuei pedalando, seguindo o meu trajeto. Uns 50 metros depois tomei coragem e decidi que não poderia perder aquela imagem tão legal. Fiz meia volta e puxei papo com o sujeito, perguntando se poderia tirar uma foto dele e de seu cachorro. O rapaz disse que sim, e começamos a conversar, enquanto eu preparava a máquina.

Ele me disse que se chamava Fabiano e que morava por ali. Me perguntou de onde eu era e respondi que morava em Santa Felicidade. Ele disse que, às vezes, pedalava, e tinha um amigo também de Santa Felicidade que pedalava bastante. Perguntei quem era e disse que o cara se chamava Fabio. Bem, eu conheço um Fabio, amigo das antigas, mas era praticamente impossível termos falado da mesma pessoa.

Em seguida ele disse que seu amigo Fabio tinha uma loja que vendia queijos e frios. Nossa, me espantei! Era o mesmo Fabio que eu conhecia de anos e que pedaláramos juntos várias vezes! 🙂

Realmente o mundo é pequeno. A probabilidade de eu encontrar uma pessoa conhecida, no meio de um pedal de 45km, no interior de Colombo, deveria ser baixíssima. Mas no final das contas alguns átomos do universo conspiraram para que um ciclista achasse um cabeludo roqueiro com seu enorme cachorro de 70km no meio de uma estrada de interior.

Fabiano, grande abraço! Foi ótimo te conhecer!

Considero que estas coisas não acontecem sem razão, como já dizia Pasteur: “O acaso só favorece a mente preparada”…

E finalmente achei um bom motivo para usar esta palavra estranha e interessante: serendipidade! 🙂

E você, já teve um momento como este?

Comments

  1. Cida says:

    Bacana o que escreveu. Já aconteceu uma vez comigo, algo muito parecido. E acabei de voltar de uma caminhada onde estava pensando sobre “o acaso” .
    Incrível.

    Parabéns pelo blog e pelos artigos.

  2. _Maga says:

    É incrível, mas serendipidade é uma coisa que sempre acontece comigo. A última que eu lembro, foi há umas duas semanas quando liguei para a minha irmã que mora no interior do Paraná.
    Ela é fisioterapeuta e trabalha com hidro-terapia e me contou que naquela semana atendeu um paciente que me conhecia.
    A história é a seguinte: o paciente dela era estudante de psicológia na UEL, a minha irmã comentou que tinha uma irmã que era psicológa e que havia se formado na UEL há alguns anos, mas que atualmente morava e trabalhava em Manaus-AM. Então ele falou: eu conheço a tua irmã, eu estava em um congresso em São Paulo quando ela fez uma pergunta e disse que morava em Manaus, eu sei quem ela é mas ela não me conheçe.

    Para mim, que adoro coincidências, foi um prato cheio.

    Muitas outras serendipidades para você.

    Um abraço

  3. fabio says:

    Nossa!!!! como o mundo e pequeno mesmo.
    O Fabiano e meu amigo ja faz um bom tempo, e alem de roqueiro o cara tambem curte natureza, montanha…
    Abraços Fabio

  4. Luiz says:

    E tem um filminho legal que explora a idéia… http://www.imdb.com/title/tt0240890/

  5. Clarice says:

    Comigo aconteceu de estar em outra cidade a trabalho e comentando sobre a família descobrir que a colega de trabalho era prima de meu cunhado. Eles não se viam há anos e quando ela teve a oportunidade de vir à nossa cidade promovi o encontro dos dois. Ela de Fortaleza, ele de Brasília. Até hoje eu a chamo de prima. Abração