Circuito Vale Europeu – Quarto Dia: Rodeio a Doutor Pedrinho

No dia 14/07/2009 fizemos o quarto dia do Circuito Vale Europeu. Desta vez entramos na parte alta do Circuito, subindo bastante e passando por regiões pouco habitadas. Considerei este o dia mais bonito de todo o trajeto por várias razões: sol e céu de brigadeiro; um bom desafio de altimetria; paisagens lindas; trajeto muito bem estudado; pessoas pitorescas encontradas no caminho e por fim uma ótima pousada no fim do dia. Pronto, já falei tudo, não precisa mais ler nada nem ver o vídeo! 🙂

O dia começou bem legal, com direito a parabéns à você: o Markito completou mais um aninho de vida e comemoramos com velinha e bolo, já no café da manhã! Hmm, quem sabe por isso que este foi o melhor dia? Presente do céu?

Dica: ao arrumar sua bagagem, de um dia para o outro, utilize a cama do hotel. Tire lençóis, travesseiros e cobertos de cima e use todo o espaço para separar suas roupas, comidas e outros materiais. A organização fica muito mais fácil.

Hoje o Rodrigo e a Lili não iriam mais nos acompanhar no pedal. Foram de carro até Doutor Pedrinho somente para passar a noite conosco. Aproveitamos a boiada e deixamos os alforjes com ele, ficando mais leves e curtindo um pouco mais do passeio.

O trajeto começa a uns 500 metros do hotel, já com o início da subida do morro do Ipiranga. São 8 quilômetros ininterruptos até o final. Mas sabe que não sentimos passar? A paisagem é muito bonita, e isso ajudou. Além disso, lá pela metade da subida, encontramos “El Picol Paradis“, um projeto do agricultor Paulo Notari, povoando o morro com Hortências, anjos e com um Cristo Redentor. Na hora lembrei que havia visto aquilo em alguma reportagem na TV, a vários anos atrás.

A Bel e eu tiramos algumas fotos ao lado do Cristo e daí comecei a ligar as coisas. Vi uma casa, logo ao lado do Cristo e pensei que ali poderia estar o seu Paulo. Na cara dura fui até a casa e um senhor simpático veio me receber. Perguntei se ele era o Seu Paulo Notari, o que ele confirmou. Menos de cinco minutos depois eu já estava dentro da casa, recebendo uma explicação sobre uma mesa em forma de roda d’água, com um tampo de vidro e um presépio dentro que ele havia construído.

É mais fácil ver no vídeo, mas o resumo é que ele plantou todas as hortências que envolvem a estrada do Ipiranga, depois resolveu fazer o Cristo Redentor e por fim colocou mais de 50 anjos, ao longo do caminho, para protegê-lo. Não bastasse isso ele ainda deseja criar um portal, com mais de 10 metros de altura para ser a porta de entrada do Céu. Senhor muito simpático, casado com Dona Ana, que foi a primeira mulher a descer o Ipiranga de bicicleta, a muuuuitos anos atrás. Se fizer o circuito não deixe de dar uma parada na estátua do Cristo Redentor, passando na casa do seu Paulo e conversando com ele. Você vai ver que será um papo muito divertido. Passamos mais de uma hora escutando as suas históricas e projetos.

Saímos de lá e notei que passava de duas horas desde que saímos do hotel e não havíamos andando nem 10 quilômetros. Ixi, vamos apressar o passo! Mas não tem jeito, apareceu um vaso sanitário no caminho e tivemos que parar novamente! 🙂

A Bel como navegadora evoluiu muito, assim como a nossa “prancheta” de navegação. Agora, além da planilha, eu havia colocado também o mapa e a altimetria do circuito no quadro da sua bike, tudo fixado e ajeitado pela santa fita crepe que me auxiliou muito nesta viagem.

Dica: em Timbó solicite um caderno do circuito a mais. Daí você pode usá-lo para recortar e usar os mapas e planilhas.

As casas, mesmo num trajeto remoto como este que pegamos, continuavam muito bonitas e convidativas. Novamente o sangue europeu se via nos pequenos detalhes daquele povo alegre e convidativo.

Não fizemos o desvio para a Cachoeira do Zinco, mesmo com as ótimas recomendações da planilha. Já estávamos atrasados no horário e também não queríamos chegar muito tarde em Doutor Pedrinho. A subida ainda era longa e a altitude deixaria o fim da tarde bem mais frio que os dias anteriores.

Alguns quilômetros para a frente tivemos um acidente. Num dos ótimos downhills da etapa passei com velocidade pela Bel. Como ela estava na esquerda da estrada, e esta era cheia de curvas, falei alto “VAI PARA A DIREITA” e fui embora. Ela se assustou, freiou o que deu, e acabou caindo. Eu não vi nada, e levei o sabão no final da descida (com razão). 🙁 No final das contas não aconteceu nada, nem nela, nem na bike. Aprendi uma lição: nunca ultrapasse a sua esposa numa descida!

Pelas duas e meia da tarde passamos pela única Igreja, existente no Brasil, em estilo Enxaimel. Pena que ela não estava aberta, pois eu gostaria de ter entrado. Interessante que ela é Luterana, assim como (acho) a maioria das igrejas que vimos pelo caminho. Outra coisa que notei foi a prática de quase toda a região de manter cemitérios ao lado das igrejas. Coisas que não vemos mais hoje em dia.

Como havia falado no início, este trajeto, além de bonito, foi muito bem pensado. Mesmo o passeio sendo muito bonito pela estrada principal, a planilha manda você entrar em outras estradinhas. E elas são pequenas, estreitas e muito mais bonitas ainda que a anterior: maravilhoso!

Bem perto dali, uns vinte minutos mais para a frente, uma bela cachoeira, ao lado da estrada, nos fez parar mais uma vez para tirar diversas fotos. A inclinação da cachoeira era bem pequena, e só não tomamos banho por lá porque a água estava gelada. Fazer este circuito no verão deve ser muito divertido… e demorado também! 🙂

Mais um tempo para a frente e paramos novamente para colher mexericas! 🙂

Lá pelas 16:00h chegamos à última subida grande do trajeto. Estávamos perto de Doutor Pedrinho e  várias plantações de arroz denunciavam de onde vinha o sustento da maioria da população.

Chegamos na Bella Pousada às 17:00h já com o frio batendo. Realmente esta pousada é a melhor de todo o Circuito Vale Europeu. Gostaria que todas fossem assim: bonitas, aconchegantes e sofisticadas, mas sem exageros. Recomendo de olhos fechados!

Tivemos um ótimo jantar, acompanhado de vinho e muito bom papo. Fomos dormir felizes, com mais um pedal com grande altimetria nos esperando no dia seguinte!

Resumo do dia: saímos as 09:00h e chegamos às 17:00h, pedalando 41 quilômetros e queimando 2.752 calorias.

Veja o vídeo deste dia, com especial participação do Seu Paulo Notari e Dona Ana:

Veja também:

Comments

  1. du says:

    Essa ârvore deveria entrar na planilha do circuito. Não é a primeira nem a segunda pessoa que me conta que parou lá pra fazer exatamente a mesma coisa, do mesmo jeito! É claro que eu também!

  2. gian says:

    essa aventura foi espetacular! parabens a todos e obrigado por compartilhar 😀

  3. mildo jr says:

    bacana,,,,vamos ao proximo 😀